Diversificação de Ativos e Investimentos

18/01/2016 Por: Ricardo Gonçalves

O conselho vem da época de nossos avós, nunca colocar todos os ovos na mesma cesta. Mas quais são os fundamentos matemáticos e econômicos para a diversificação de ativos e de investimentos? Seja numa cesta de investimentos de pessoas físicas, ou na alocação de ativos que compõem um fundo de investimentos, é consenso que não deve haver concentração em um tipo ou um grupo de títulos de mesma categoria.

Mais do que aumentar a rentabilidade, a diversificação objetiva mitigar o risco de desvalorização do portfólio de investimentos, que pode ocorrer pela queda do preço dos ativos. Esse tipo de risco, relacionado a flutuações de preços, é denominado risco de mercado. Mas não basta uma seleção aleatória de papéis para que se minimize o risco de perdas de valor numa carteira ou fundo de investimentos. Devem ser selecionados ativos fracamente correlacionados, ou correlacionados negativamente. A correlação é um conceito estatístico que, em linhas gerais, mede a variação de uma determinada série de valores em função de outra.

Por exemplo, a partir das séries históricas do IBOVESPA e do papel de renda variável ITUB4, que tem um percentual de 10% nesse índice, nota-se que a variação dos preços de ambos segue praticamente a mesma tendência, conforme pode ser visto na figura abaixo:

Dessa forma, diz-se que as variáveis têm correlação positiva, ou seja, quando o valor de uma cai a da outra também tende a apresentar o mesmo comportamento. Para fins de diversificação, um ativo que reproduza o IBOVESPA e o papel ITUB4 não seriam bons candidatos em uma mesma carteira.

Por outro lado, sabe-se que ativos indexados a ouro e a dólar tendem a ter correlação negativa ou neutra, pois em cenários de instabilidade da moeda americana investidores buscam o ouro como porto seguro.

Mesclar, então, em um mesmo portfólio, ativos indexados a ouro com ativos indexados ao dólar pode ser uma boa estratégia para diversificação e proteção, pois em caso de queda na cotação de um desses ativos, o outro deve ter comportamento contrário a essa queda, ou pelo menos neutro.

Pode-se, então, dizer que a diversificação de um portfólio é tão mais eficiente quanto mais a correlação entre seus ativos for fraca (perto de 0) ou negativa, e tanto pessoas físicas quanto gestores de fundos de investimentos devem ter isso em mente no momento de selecionar os ativos que comporão seus portfólios. O objetivo é que quedas nos preços de alguns títulos possam ser compensadas por ganhos em outros, ou pelo menos para que essas perdas não necessariamente se correlacionem com perdas em outros papéis.

Sobre o autor:

Ricardo Gonçalves

Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências da Computação pela Universidade de São Paulo, está na Britech desde 2012, atuando como analista de negócios . Está no mercado de desenvolvimento de software para o mercado financeiro há 17 anos.

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