Não é incomum o descompasso entre o retorno apresentado por fundos de investimentos e aquele percebido pelo portfólio aplicador nestes fundos. Este fato produz, muitas vezes, desconfortos de diversas intensidades, a depender do grau de conhecimento do investidor, do potencial descasamento e do valor de rentabilidade esperada. Este fenômeno tende a ocorrer com mais frequência em fundos com maior volatilidade, a exemplo de fundos de ações, mas em teoria pode ocorrer em qualquer classe ou categoria de fundos de investimentos.

Analisando um caso simples, podemos assumir que um fundo tenha rendido 1% em um determinado mês, com ponderações de rentabilidade semelhantes entre as duas metades do período. Caso um investidor realize uma única aplicação no dia 15 deste mês, seu retorno aproximado do portfólio será de aproximadamente 0,5%. Para este caso simples e assumindo que o portfólio deste investidor tivesse iniciado com apenas esta aplicação, duas soluções poderiam ser aplicadas. A primeira seria simplesmente desconsiderar o retorno e indicar que não há tempo aplicado suficiente – os próprios fundos de investimentos costumam aplicar esta solução quando não possuem histórico de retorno completo no período. A segunda solução seria realizar uma equivalência matemática, linear ou exponencialmente, extrapolando o retorno de 15 dias para o mês cheio.

Numa situação mais real, o investidor possui diversas aplicações realizadas no fundo ao longo do período. Existem fundamentalmente duas formas de se calcular o retorno de um portfolio com múltiplas aplicações. A primeira é feita pela Taxa Interna de Retorno (TIR), onde a taxa de rentabilidade encontrada é aquela que zera os fluxos de aplicação e resgate feitos no portfolio no período em questão. Este método de cálculo é o que potencialmente pode apresentar maiores diferenças entre o resultado obtido pelo portfolio e aquele obtido pelo fundo aplicado, visto que aplicações de maiores valores terão impacto mais significativo na apuração final do retorno.

A segunda forma, por “método da cota”, mais comumente usada para cálculo do retorno de portfolios, pode também produzir diferenças em relação ao retorno do fundo aplicado. Superada a questão do tempo decorrido exposta no segundo parágrafo, o método por cota também pode apresentar diferenças em relação ao retorno do fundo devido aos valores carregados em caixa não remunerados ao longo do período. É esperado que portfolios detenham caixa residual em diferentes momentos do tempo, o qual será pouco ou nada rentabilizado no período, embora seja adicionado no cálculo do patrimônio inicial e final. O impacto deste fenômeno pode ser mais bem percebido para o caso de quantias substanciais em relação ao total do patrimônio.

Finalmente, mas não menos importante, há o impacto das taxas sobre o retorno do portfolio. Estas podem se configurar como taxa de administração, performance, bem como aquelas atreladas às operações executadas. Em todos estes casos, o retorno do portfolio sofre um impacto negativo, decorrente das despesas mencionadas, o que contribui para a distorção em relação ao retorno do fundo.

AUTOR:

Raul Tortima

Administrador e analista de sistemas com MBA em Finanças pelo IBMEC, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. Em 2007 Raul funda a Atatika, empresa de software focada em soluções para o segmento Financeiro. Em 2014, após a fusão da BRITech e Atatika, passa a dedicar-se a consultoria e mentoring para as equipes internas da Britech.

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